terça-feira, 12 de agosto de 2014

Governo quer que contribuintes paguem dívida de distribuidoras em 3 anos

Intenção é diluir até 2017 reajuste na luz por socorro de R$ 11,2 bilhões a distribuidoras e não mais até 2016


O governo federal pretende diluir em três anos, e não mais em dois, o reajuste na conta de luz para pagar o empréstimo bancário feito para as distribuidoras de energia, disse nesta quarta-feira o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, à rádio CBN. A ideia do governo, segundo ele, é reajustar a conta de luz em 2,6% em 2015, em 5% no ano seguinte e em 1,4% em 2017. 
Até agora, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse que o aumento da tarifa para pagar o empréstimo bancário tomado pelas distribuidoras, de 11,2 bilhões de reais, ocorreria nos próximos dois anos, em 2015 e 2016. A diluição do reajuste por um prazo maior reduzia o impacto do aumento da tarifa de luz na inflação, em um momento que a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encontra-se sob pressão e perto do teto da meta do governo, de 6,5% ao ano. 
O pagamento da dívida das empresas referente aos gastos de maio foi adiado duas vezes, primeiro para o dia 31 de julho e agora para dia 30 de agosto. Tudo para a equipe do governo ganhar tempo para levantar outros 6,5 bilhões de reais em socorro às distribuidoras. A negociação para o financiamento adicional está levando mais tempo do que se imaginava.
Ajuda - O socorro às distribuidoras está sendo necessário por dois motivos. Primeiramente devido ao acionamento de térmicas, cuja energia é mais cara, para atender à demanda por eletricidade, diante do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas neste ano. Em paralelo, as distribuidoras não conseguiram contratar toda a energia que precisavam nos leilões do ano passado e deste ano e, por isso, precisam completar esse déficit de oferta e demanda comprando energia no mercado à vista, também mais caro. Em menos ou mais tempo, a despesa será paga pelo consumidor brasileiro.
(Reinaldo Canato/VEJA)

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